
Que se torne branco tudo aquilo que valer à pena o homem não ver, ignorar. Assim... o branco, mesmo que alvo, existirá... pelo simples fato de ser intocável pelo ser humano.
Enquanto tento descrever meu blog, enquanto tento dar uma rápida explicação sobre o que eu pretendo com ele, faço uma pergunta a você. Gostaria mesmo que eu o descrevesse... será tão mais fácil não pensar nisso...
Apelo contra Fome
Josué de Castro, pernambucano, médico, estudioso da nutrição humana, sociólogo, geógrafo, filósofo e político. Belo currículo para uma bela personalidade brasileira. Mas a principal atribuição que será dada a ele durante o futuro incerto da humanidade é sua formação humanista. Mostrou ao Brasil que tínhamos famintos. Mostrou ao mundo tínhamos fome. Se mostrar causasse impacto, teria alcançado facilmente seus objetivos. Mais que isso, precisou mostrar e correr atrás de respostas, de atitudes. Por isso, foi exilado. Mesmo de longe, continuou lutando.
Josué de Castro mostrou para a humanidade o que estava à nossa frente e não queríamos ver. Desatou nossos olhos para um mundo desigual, injusto e miserável. E mais que isso, provou que não era falta de comida que levava à fome. Contrariando a teoria malthusiana, Josué de Castro mostrou que passávamos fome por irresponsabilidade política. Foi o primeiro passo.
Passaram-se décadas, e ainda hoje a situação continua incerta. Fome: o que nós podemos fazer para mudarmos essa realidade? Aqui entra a conclusão que já foi afirmada no primeiro parágrafo. A fome é uma conseqüência de uma sociedade capitalista neoliberal, que como tal faz com que seres humanos se tornem humanóides uns para com os outros e transforma a vida, que deveria correr normalmente em paz e igualdade, em uma corrida pela sobrevivência própria, meramente própria. Temos sim culpa da fome no mundo a partir do momento que não fazemos nada para mudarmos a situação. Pensamentos do tipo “não sou culpado pela fome no mundo” é uma conseqüência de um sistema que engana, destrói, corrompe, mata. De maneira bastante sucinta, podemos concluir que se o capitalismo gera fome e nós alimentamos o capitalismo, oras, geramos fome. Se não podemos com o capitalismo, lutemos para que, pelo menos seus efeitos sejam menos devastadores.
Critiquemos o nazismo. Matavam apenas por matar. Por achar que judeus, homossexuais e negros não eram espécie humana. Critiquemos sim, mas não sejamos hipócritas. Os nazistas tinham plena certeza que estavam matando seres não humanos. Não desmerecem as críticas por esse fato, mas de certa forma, eles não estavam sendo hipócritas: expunham seu pensamento, por mais absurdo que para nós parecesse, e agiam em conformidade com sua ideologia. Agora nós sim somos hipócritas, pois sabemos que os que estão morrendo de fome são seres humanos. O que para muitos, não muda nada.
Paramos para pensar um pouco. Imagine que fosse feita uma pesquisa de opinião pública com 100% da população mundial a partir de uma única pergunta simples e objetiva: Você gostaria que a fome no mundo acabasse? Não temos dúvidas de que a imensa e esmagadora maioria diriam-se “humanista” e conclamaria um esbelto, orgulhoso e alto “Não”, “No, I Don´t”, “Non”, “He”, “όχι”... Todas as línguas se uniriam para proclamar o “não” à fome. Aí vem a pergunta: o que falta então para que a população faça sua parte? Informação? Vontade já sabemos que não é. Vontade todos nós temos.
Temos que parar de chorar. Temos que parar de ser apenas contra o imperialismo norte-americano. Temos que parar de apenas escrever textos como esse e partir para a luta. Lutar sabendo que não é obrigação nossa apenas salvar os famintos do mundo. O objetivo da nossa luta é mais amplo. É dar dignidade tanto aos que passam fome quanto a nós mesmos.
Otimismo: Inimigo da Perfeição
Em minhas mãos a decisão de como seria o futuro... pensei então num futuro próspero para a humanidade... Todos trocando seus lanches na escola, e não apenas uns pedindo e outros negando. Todos tomando água de coco na praia... e não apenas uns bebendo e outros pedindo o facão ao dono do bar para repartir o fruto e se alimentar da massa branca de seu interior.
Imaginei também as crianças brincando em diversas tonalidades... trocando brinquedos... iguais em valor... mães conversando sobre suas crias, na sombra fresca de uma árvore... imaginei que ali estavam seguras... o pirulito na boca dos infantes seguro das mãos de bandidos atrapalhados que “deixam” as armas soprarem o sopro da morte à humanidade.
Imaginei o povo no planalto central... fazendo festa com as leis que agora se desgrudavam do fino papel e ganhavam o rumo dos planaltos, planícies, rios, morros, litorais... do Brasil... e chegava nas casas de TODOS os brasileiros... e assim aconteceria com cada país.
Imaginei o negro sorrindo... livre... imaginei o negro lutando contra a discriminação do branco... como há brancos lutando hoje, pela discriminação do negro. Essa seria a única punição aos brancos que imaginaria no futuro pelo que são hoje.
Imaginei domingos de sol, pessoas se banhando em rios limpos, pássaros se destacando na floresta, descendo até a superfície da água límpida, pescando... e o homem, apenas observando... com admiração maior do que sente hoje, quando vê pássaros enjaulados em seus próprios quintais.
Pensei também que todos teriam a oportunidade de saber ler estes escritos.
Imaginei senhoras e senhores caminhando por praias e bosques... sorrindo, rezando terços, brincando com netos em campos verdes. Imaginei corpos em todo o Mundo sendo valorizados pelo próximo... e por seus próprios donos.
Imaginei... imaginei... Pena que imaginei demais... o pedido foi negado por excesso de esforço espiritual necessário para efetuar todas as mudanças. A chave emperrou na fechadura. Outra porta deverá ser aberta. Enquanto isso, olhemos da fechadura, mesmo com a chave tendo encoberto a metade da visão.
Ciclo da Vida
O ser humano nasce, chora, dorme... e se alimenta. Ao sugar do seio materno o sustento dos seus pacatos dias, o ser humano ama. Mãe e filho se olham com a razão pura do amor, e o ser humano cresce. Não apenas biologicamente, mas também como ser humano que há de ser. Dos primeiros avisos sonoros, resmungos, surgem os primeiros encontros vocálicos... e o ser humano fala.
O ser humano pede, exige, cai... cresce. Além do conhecimento informal (que faz do ser humano um autêntico ser humano), entra para a escola: o conhecimento formal. E o ser humano cresce.
O ser humano ama. Pela primeira vez ele percebe que existe adrenalina em seu corpo, no seu ensejo incontrolável pela pessoa amada. O ser humano é iludido. Ele perde o amor pela pessoa amada. Às vezes há sensação de perda quando na verdade tudo não passou de esperança não concretizada. Sempre amou, mas nunca o amaram em reciprocidade. E o ser humano volta às origens... ele chora... ele cresce.
Aos poucos a imensidão imensurável daquele vazio, num silêncio profundo, em meio a seus prantos, ressurge de sua ilusão e sorri para si mesmo. No momento, não espera reciprocidade de alguém, mas oferece o amor recíproco em seu peito almejado por uma pessoa feliz, um ser humano... que não se iludiu, não perdeu, não chorou... mas cresceu.
O ser humano chega, então, ao estágio da reprodução. Aqui ele reproduz não apenas seu próprio eu, mas também todos os conhecimentos obtidos ao longo de sua vida. O ser humano sente necessidade de recalcar em seus filhos os desejos oprimidos desde muito tempo até os futuros... e o ser humano cresce.
O ser humano vê suas origens nos filhos... e envelhece. Olha para trás e percebe que viveu pouco o pouco que viveu. Tenta aconselhar os outros a deixarem suas vidas serem curtas... em vão... seres humanos só dão valor à vida quando esta está no fim.
O ser humano aprende com a nova geração... novos conceitos, novos estilos, tradições... e o ser humano cresce. De seus cabelos brancos nasce a vontade de voltar atrás e refazer a vida... o ser humano, renasce pelo choro que escorre em suas rugas...
O ser humano morre.

Venn é um átomo feliz. Compartilha com seus progenitores a alegria de ser um átomo. Um dia, andando pelo corredor de um ônibus, procurando uma cadeira para sentar, escutei uma voz, que na verdade pareceia um assovio, me chamando até pelo nome. Era Venn! Ele, ao contrário de todos os outros átomos do universo, não é cego. Na verdade, todos os átomos tem olhos... dois olhos. Porém um se encontra no orbital "p" (3p, para ser mais preciso...) e o outro no orbital "d" (5d). É bastante óbvio que os átomos que não apresentam tais orbitais pelo seu reduzido número atômico são, sim, cegos... mas mesmo os que apresentam os dois olhos, ou mesmo apenas um dos olhos, é considerado um átomo cego, pois a velocidade incrivel em que se locomove os olhos devido às caracteristicas tanto translocacional em relação ao núcleo, quanto rotacional em relação ao seu próprio eixo, o fazem cegos com olhos. A estória de Venn é uma estória triste e feliz ao mesmo tempo. Mutações acumuladas através de gerações e gerações da família de Venn o fizeram ter seus dois olhos alocados no núcleo. Um dos olhos é um prótom, e outro um nêutron... uma vitória para os atomianos. Essa é a parte feliz da estória. A parte triste se refere ás consequencias que ter olhos no núcleo pode causar a um átomo. Por ser um átomo de Tungstênio, cujo número atômico é 74, Venn apresenta muitos elétrons girando em torno de seus olhos. Dizia 2 palavras e desmaiava de enjôo. Ele viveu por apenas 2 dias, pois devido sua fraqueza, acabou retirando de si o olho-próton, perdendo um número atômico e se transformando em um átomo de Tantálio (73). Quanto ao olho-nêutron... bom... ele era neutro, não adiantaria retirá-lo. Sabe-se, segundo a mitologia Tantaliana, que um átomo de Tantálio deve ser legítimo. Como Venn era ilegítimo, acabou sendo expulso do mundo periódico da tabela e hoje é um átomo inerte, perdido, sem fim nem início, até que sofra uma radiação. Foi um dia muito triste para todos que estavam no ônibus e que ouviram aquela estória.
É... Venn nem é um átomo tão feliz assim...